Dor de cabeça merece cuidados e pode ser sintoma de alguma doença
- Em Foco Mídia
- 19 de out. de 2022
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Certamente qualquer pessoa do seu convívio já sentiu algum tipo de dor de cabeça. Talvez não haja no mundo quem nunca tenha tido esse problema após um dia agitado, resultado de uma jornada cheia de afazeres, tensões e estresse. A maioria toma um comprimido e tenta descansar ou até mesmo dormir para que a dor passe. Dores de cabeça são realmente terríveis, sendo algumas bem piores e mais doloridas. Essas dores dizem muito sobre uma pessoa. Podem indicar que você está fazendo algo que não é bom para a saúde do seu corpo ou ser um sinal de que algo mais sério possa estar acontecendo. Pode ser um sintoma de um distúrbio orgânico simples, uma doença série e complicada, ou simplesmente uma característica individual, como a cefaleia tensional ou a enxaqueca.
Você saberia diferenciar uma simples cefaleia (dor de cabeça) de uma enxaqueca? Essa é uma dúvida comum para muitas pessoas. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, 95% da população apresentarão algum tipo de dor de cabeça ao longo de sua vida. Cerca de 70% das mulheres e 50% dos homens apresentam pelo menos um episódio de cefaleia ao mês. A enxaqueca ocorre em até 20% das mulheres e um total de 13 milhões de brasileiros apresenta dor de cabeça pelo menos 15 dias por mês. Um número assustador.
O especialista em medicina interna do Centro Médico Pampulha, Ronald Farah, explica que a cefaleia pode ser episódica ou um sintoma de outra doença. Segundo ele, existem três mil causas. “A dor de cabeça pode ocorre, por exemplo, quando a pessoa tem uma noite de sono mal dormida, quando exagera na bebida alcoólica, quando muda o fuso horário, quando leva um susto, quando tem hipertensão ou diabetes, entre outros sintomas. Quando o paciente fala que tem dor de cabeça, temos de investigar sistema por sistema e fazer uma anamnese. Existem diferentes tipos de dores de cabeça como a cefaleia tensional, que é fruto, como o próprio nome indica, de uma tensão”, explica.
Enxaqueca
A enxaqueca é apenas um dos tipos de dor de cabeça e manifesta-se mais nas mulheres (80%) do que nos homens (20%). Mas não a única; existem muitas outras. Para se ter uma ideia, a Sociedade Internacional de Cefaleia reconhece mais de 150 tipos de dores de cabeça diferentes. Algumas particularidades permitem, segundo Ronald Farah, distinguir clinicamente a enxaqueca de outras formas de cefaleia. “A enxaqueca tem um grupo de características importantes para um diagnóstico provável, mas que precisa ser investigado se, em 85% dos casos, a dor é predominantemente unilateral, frequente é descrita como latejante (pulsátil), na maioria das vezes. Além da dor, os pacientes costumam apresentar outros sintomas durante a crise de enxaqueca como a intolerância à luz (fotofobia), intolerância a ruídos (fonofobia) e escotomas visuais, em que o paciente enxerga manchas no campo visual compostas por pontos brilhantes”, informa.
Alguns fatores podem ser desencadeantes: “Ingestão de bebidas alcoólicas em excesso, principalmente o vinho; achocolatados; causas hormonais, que muitas vezes é motivo de enxaqueca em mulheres; insônia; cafeína; entre outras. Muitas vezes a enxaqueca tem fator genético e as crises podem acontecer de uma hora para a outra”, comenta Ronald Farah. O tratamento é realizado com medicamentos específicos, chamados antienxaquecosos. “São sugeridos algumas práticas ainda não comprovadas através de um estudo dirigido como o yoga, a piscoterapia e os banhos relaxantes com água morna. A aplicação de botox pode ser utilizada no tratamento e sua eficácia é cientificamente comprovada. Não podemos esquecer ainda que pessoas bem-humoradas raramente têm enxaqueca”, pondera.
Farah ainda alerta sobre a automedica- ção. “Isso prejudica o diagnóstico, pois ele vai mascarar uma possível doença. Quando a dor de cabeça é frequente, ela tem de ser investigada, pois podem ser muitas as causas e várias doenças que podem estar diretamente ligadas”, informa. Toda pessoa que sofre de crises persistentes de dores de cabeça deve consultar um neurologista para que se possa identificar a sua causa e eliminar os fatores de risco.
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